01. Oglashennye Izydite
Não sou um exímio conhecedor dos diversos instrumentos do mundo, então não tenho bem certeza se esse começo é de um violão, bandolim ou balalaika.
Mas é uma bela melodia inicial.
(E se não me engano, como uma amiga Russa me traduziu, a primeira faixa e que também dá nome ao disco quer dizer algo com relação a bíblia, algo como, Capeta Vá embora.
02. Nachalo Veka
E estranhamente já entramos num som rápido, um tanto pesado, mas com fundo melódico e acústico na introdução.
A sequência volta ao som melódico e acústico. E é interessante a maneira com que eles conduzem a melodia da canção.
As guitarras de Alex Burkov aparecem pesadas em vários momentos junto ao baixo de Artemiy Bondarenko e a bateria de Alexander Vethkov, mas ao fundo a flauta de Yuri Ruslanov dá um tom acróbata a canção, bem diferente.
Como a rússia tem certa tradição nas bandas de metal/prog aqui eles mostram um desses lados também.
Aos 4 minutos uma linha de baixo bem grave (devido ao baixo de 5 cordas) conduz uma espécie de valsa elevada pela melodia da flauta.
Num rompante a faixa muda totalmente e Sergey Kalugin comanda uma belíssima melodia ao violão, que dura pouco, isso entre aspas, porque a melodia do violão continua mesmo com a banda pesando a coisa toda.
03. Noch Zashity
Climática, enigmática. O som levado pelo violão e flauta dá um aperto no croação, me lembrei do sensacional Harmonium ouvindo esse som. É de chorar de tão bonito.
E quando o vocal de Sergey começa, de maneira falada e um tanto grave é mais emocional ainda.
Não é tão fácil digerir o cantar em russo, mas pra mim fica no mesmo nível do francês, também não é fácil de digerir, mas quando você consegue é muito agradável.
Gosto de pensar que a maioria é como eu e gosta de refrescar os ouvidos com novas possibilidades sonoras e principalmente linguísticas.
O solo de Alex pouco antes dos 6 minutos de canção é muito bem composto e tem o timbre certo pro som. Em seguida voltam ao tema de maneira natural, sempre acompanhados do violão onipresente.
O disco é composto por faixas longas, e com isso é normal que se torne cansativo, mas por aqui isso não é o que acontece, as várias melodias na mesma música fazem os ouvidos procurarem or novos sons. E normalmente eles são encontrados.
04. Voshogdenie Chernoy Luny
Idéias no talo. O tempo é quebrado, incrível como o violão pode tomar todas as formas, se confirmando como o instrumento mais maleável que existe.
Nessa faixa quando o vocal entra é difícil não pensar, pelo menos por um instante, em Rammstein.
E o riff anunciado pela guitarra pouco depois dos 3 minutos e meio é daqueles que fica na cabeça.
Outra coisa interessante por aqui é que enquanto Artemiy toca a linha grave e 'natural no baixo de 5 cordas, Yuri compõe toda uma outra melodia solo com o baixo fretless, genial.
Cheia de vontade a faixa desemboca num rock pesado, mas melodioso, com uma ponta de riva como cereja do bolo.
05. Ubit Svou Mat
Uma voz, mais uma. uma salad vocal, um violão e o peso.
Novamente eu fico impressionado com a maneira que as composições foram entrelaçadas e misturadas.
O vocal de Sergey parece enrolado, quase 'bêbado', mas é a própria língua que tem suas partircularidades.
A banda se embrenha numa melodia com face pop, mas com boas doses de guitarra pra não deixar a coisa banal demais.
Quase 4 minutos e a introdução que me deixou surpreso volta, a guitarra 'chama' um dos pontos conhecidos de O Fantasma Da Ópera de Andrew Lloyd Webber, mas não de maneira banal, ou só por citar, é parte integrada da melodia como um todo.
Na parte final a flauta dá o ar da graça, Yuri tem uma maneira particular de tocar a flauta sem parecer com nada, pelo menos pra mim.
06. Turkestanskiy Ekspress
Dessa vez realmente pesada em sua introdução. Turkestanskiy Ekspress, além do começo ultra pesado tem uma linha de baixo slap muito boa e junto com ela o baixo fretless de Yuri.
No meio dessa confusão toda a banda introduziu uma série de vozes e narrativas.
Outra coisa bem interessante é a maneira com que de repente a banda simplesmente pára, dando a impressão de que a música acabou, mas é só o famoso truque de enganar o ouvinte.
Aos 3 minutos um tema mais swingado, com espaço pr'um pouco de percussão, solo de baixo e flauta.
Viram o que eu disse? Mais uma pegadinha, tudo para, um grande silêncio, e a bateria vem crescendo pra banda acabar num quase punk, rápido e volta-e-meia todo quebrado.
07. Pokoy I Svoboda
É a flauta. E junto do violão faz toda a diferença.
As vezes as pequenas e singelas melodias nos falam tanto à alma que é impossível ficar impassível, mesmo se for um A (Lá) e um D (ré).
Entrepasses de peso e calmaria, mais uma vez a galera nos engana, pára tudo no meio pra volta mais melancólico e sofrido, dessa vez eu até achei que era francês (risos).
Umas poucas partes percussivas e uma longa faixa que não é chata, isso é tão bom!
08. Variacii Na Temu Voennogo Marsha G Sviridova
O que seria? Diversão meus amigos. Música também é diversão, e quando é feita de maneira competente é ainda mais divertida, uma senhora 'zona organizada'.
09. Stupeni
Apesar do peso o violão a seguir emula renascença pelos poros sonoros da alma.
Os vocais são recitados, em alguns momentos falado em outros quase cantado.
O fretless marca numa bela linha, enquanto a guitarra 'chora' lá no fundo.
O clima predominante é a viagem.
10. Vesna
O violão emulando um arpegio de teclado é novidade pra mim, muito interessante. Eu vi até algumas melodias bem diferentes, quem sabe até uma certa influência brasileira, ainda mais no caso da flauta, comumente usada no Brasil para o choro por exemplo.
Muito interessnate a maneira com que o violão segura uma base tipo bandolim.
Na banda o que segura toda a diferença é o pseudo peso que a guitarra segura, as flautas durante boa parte do processo, o que torna tudo diferente e interessante. É claro que aos ouvidos brasileiros (e de outros países também) o que chamará muita atenção é o vocal diferenciado na língua russa.
O que dizer? Se você for uma daquelas pessoas que sempre busca por novidade e por coisas diferentes, benvindo ao clube, agora se quiser só ouvir mais do mesmo vá procurar em outros blogs, daqui pra frente a coisa vai ficar ainda mais diferente, (como já venho fazendo desde o começo). Abraços
Diego ProgShine
São Paulo, Brasil, 01.06.07
http://newprogshine.blogspot.com/
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